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Do programa de Português, do 11º ano, faz parte a leitura de uma das mais prestigiadas obras de Eça de Queirós: “Os Maias”. Um retrato da sociedade lisboeta da segunda metade do século XIX que tem lugar, entre outros espaços, na Vila de Sintra. Assim, foi-nos proposta uma visita de estudo a este belo recanto de Portugal, que se realizou no passado dia 18 de Abril de 2008, com a participação das turmas B, C, D e E. Tal incluiu uma entrada na Quinta da Regaleira e a execução do percurso queirosiano, justamente para nos dar uma visão mais aproximada do ambiente em que ocorreu parte da acção d’ “Os Maias”.

Autoras: Inês Pinho, Juliana Brandão, Patrícia Nogueira, Sara Guimarães (11ºB)
Professora: Dina Sarabando


Esta visita promoveu o contacto directo com os espaços referidos na obra, sensibilizando os alunos para a preservação do património ambiental, cultural e histórico, permitindo, assim, a consolidação dos conhecimentos sobre a obra.

Embora a saída estivesse marcada para as seis horas da manhã, esta iniciou-se mais tarde, devido a alguns atrasos. A viagem que nos esperava era longa, mas isso não foi um entrave à nossa boa disposição. Entre canções, brincadeiras e algumas “sonecas” por parte de alguns colegas mais cansados, chegámos ao nosso destino, por volta das dez horas e vinte minutos. O autocarro deixou-nos perto da praça do Palácio Nacional de Sintra.

Como éramos muitos alunos, tivemos que ser divididos em dois grupos. No grupo 1, ficaram as turmas do 11ºC e E e, no grupo 2, a nossa turma, 11ºB, juntamente com o 11ºD. Desta forma, o grupo 1 seguiu para o Roteiro Queirosiano, enquanto que o grupo 2 foi para a Quinta da Regaleira.

Pelo caminho, fomos apreciando a beleza natural desta vila, passando por vários estabelecimentos apreciados pelos turistas e munícipes. Passámos pela Fonte dos Amores, pelo Hotel Lawrence, o qual foi referenciado, posteriormente, no Roteiro Queirosiano, até que, ao longe, nos surgiu um edifício bastante peculiar e associámo-lo rapidamente ao destino que iríamos visitar, a Quinta da Regaleira. Aqui, fomos recebidos por um guia que nos apresentou a quinta e nos explicou a sua história, a simbologia e o porquê da presença de algumas estruturas. Começámos por conhecer o “Patamar dos Deuses”, onde observámos estátuas de deuses. Entre elas, vimos a imagem de um leão que nos foi apresentado como o guardião. Seguimos o nosso caminho em direcção à “Fonte da Abundância”. Esta tinha uma bica de água, construída com vários adornos de conchas, que simbolizava o culto da fertilidade.

Embevecidos com a tamanha beleza natural e a simbologia do local, íamos caminhando, sem nos apercebermos de todo o trajecto já percorrido. O “Portal dos Guardiães” surgiu-nos. Este representa o espaço entre o mundo interior e o mundo exterior. Mas o momento vibrante desta visita aproximava-se: o Poço Iniciático. Passámos a porta e entrámos. O primeiro impulso é espreitarmos sobre a balaustrada de pedra e mirar a Rosa-dos-Ventos gravada no fundo deste poço. Mas este não é um poço vulgar, contém uma escada em espiral, nove patamares circulares, que nos fazem lembrar os nove círculos do Inferno e os nove céus do Paraíso. Pensa-se que este terá servido para rituais iniciáticos, pois, no fundo, deparámos com uma passagem que nos possibilita vários caminhos. Embora só tenhamos percorrido um dos possíveis caminhos, o nosso guia informou-nos que todas as saídas tinham algo em comum: a água, o elemento purificador. Seguimos por um túnel que nos conduzia a um pequeno lago, que tivemos de ultrapassar passando por cima de várias pedras aplanadas.

Continuámos o nosso percurso com uma visita à Torre da Regaleira. Subindo por esta, cria-se uma ilusão de que nos encontramos no eixo do Mundo. Descendo pela quinta, surgiu-nos a Capela da Santíssima Trindade, com uma fachada que aposta no revivalismo gótico e manuelino. No altar central, podemos vislumbrar a imagem do anjo Gabriel a anunciar a Boa Nova a Maria. Um dos vitrais que nos chamou mais a atenção foi o de Santo António, pois encontrava-se representada a pregação do mesmo aos peixes, situação essa abordada já nas aulas de Português, no âmbito do “Sermão de Santo António aos Peixes”, do Padre António Vieira.
Seguidamente, fomos conduzidos para o interior do Palácio, onde pudemos apreciar os tectos em madeira, as paredes pintadas ou esculpidas com motivos de caça e os mosaicos.
E, depois desta manhã em cheio, seguiu-se um almoço junto ao Palácio Nacional de Sintra. O convívio fez com que este tempo fosse efémero.

Seguiu-se o Percurso Queirosiano. Este pretendia dar a conhecer aos visitantes o ambiente oitocentista desta vila, que o grande prosador Eça de Queirós utilizou como “palco” em diversas obras. Começámos, então, por uma abordagem geral focando os capítulos passados em Sintra. O percurso, habilmente descrito na obra, é parte integrante de um dos momentos altos do enredo: Carlos da Maia, numa busca incessante pela amada – e irmã - Maria Eduarda, desloca-se, acompanhado de Cruges, a vários hotéis ( Nunes, Lawrence e Seteais), considerados os melhores situados e com a mais bela paisagem envolvente, quer natural, quer monumental da vila. Começámos, então, por visitar o ex-Hotel Nunes, à direita do Palácio Nacional de Sintra, onde Carlos da Maia ficara hospedado, agora Hotel Tivoli. O nosso guia solicitou que nos concentrássemos no hotel que se encontrava ao lado, o Hotel Netto, pois a fachada era bastante semelhante à antiga fachada do Hotel Nunes.

O passeio pelo Centro Histórico da Vila Velha continuou seguindo-se o Hotel Lawrence. Este é o hotel mais antigo e outrora um dos mais requintados da Península Ibérica, onde Carlos da Maia jantou com Alencar. Continuámos a nossa caminhada, passando. Novamente, pela bela Fonte dos Amores, até chegarmos à Regaleira. Terminámos o trajecto em Seteais, onde, infelizmente, não nos foi autorizada a entrada, pois este encontra-se em início de obras. Assim, restou-nos apenas observar o grandioso jardim de Seteais.
Concluído o roteiro, voltámos para a zona do Palácio Nacional de Sintra, onde pudemos lanchar, comprar recordações e, ao contrário de Cruges, não nos esquecemos das queijadas, na ilustre Piriquita.
À hora combinada, encontrámo-nos junto à paragem de autocarro para iniciarmos a viagem de regresso a casa. A animação prevalecia, com muita música à mistura; porém, não durou sempre, pois, inevitavelmente, o cansaço falou mais alto.
Por volta das vinte e uma horas, chegámos a S. João da Madeira e demos por concluída a nossa agradável e bem sucedida visita de estudo.


A nossa visita de estudo a Sintra nunca teria sido realizada sem a participação de algumas professoras. Especial atenção à professora de Português, Dina Sarabando, responsável pela organização da visita, e à professora de Matemática, Cláudia Sá, que nos acompanharam sempre muito bem dispostas, durante a visita. Queremos, ainda, agradecer a todos os colegas de turma que fizeram com que a visita fosse bastante agradável e divertida.

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E, para nossa surpresa, Eça, que inundou as nossas mentes com a sua extraordinária visão da sociedade portuguesa da segunda metade do século XIX, através da sua obra-prima, “Os Maias”, deu o ar da sua graça e presenteou-nos com uma agradável visita, durante uma aula de Português. Que prazer foi termos a possibilidade de viajarmos no tempo e contactarmos, bem de perto, com esta figura ilustre das letras nacionais.





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